Dona Thereza, no início da década de 70, começou a fazer bombons para festa, como atividade paralela ao emprego que possuía no TJMG.

Como os bombons eram muito gostosos e bem decorados, o "boca a boca" fez com que volume de encomendas fosse aumentando, e então ela se viu obrigada a optar: o emprego público ou a atividade mercantil?

Muito resoluta, não teve dúvida, a despeito das opiniões de vários amigos e familiares: vou montar uma lanchonete!  

E assim surgiu, em 1973, o Doce Docê, na Av. Afonso Pena, altura da Praça ABC.

Algum tempo depois, seu irmão Pedro, que se alimentava muito fora de casa, pediu-lhe que inventasse um salgado que substituísse uma refeição. Ela então criou uma coxinha "gigante" para os padrões da época, pesando em torno de 200 gr. Achou o salgado meio "sem graça" e resolveu incrementá-lo. Lembrou que na roça comia requeijão derretido e que era uma delícia. Assim, foi a um supermercado e lá encontrou o Requeijão Catupiry, embalado na caixinha de madeira. Colocou algumas colheres do mesmo no salgado e colocou para fritar. Ai foi colocar no balcão para venda e o sucesso foi instantâneo. Dava fila na porta para comprar as coxinhas de frango com catupiry!

As lojas foram se multiplicando: uma na Rua Antônio de Albuquerque,  próximo à  Rua Alagoas, outra no BH Shopping, outra em Ouro Preto no Largo do Rosário... e a loja da Afonso Pena ampliada para abrigar Casa de Chá e Clube do Shopp. A rede prestava também serviços de buffet, aliás o mais "badalado" de Belo Horizonte à época...

O Doce Docê tornou-se então referência em doces e salgados finos até a década de 90, quando interrompeu suas atividades em função de planos econômicos e da transferência do casal Thereza e Levindo para Brasília, onde ele assumiria a diretoria geral do TSE.

No início de 2017, o neto Bernardo da Dona Thereza, resolveu fazer as coxinhas com a receita da avó para vender para familiares e amigos, e assim complementar sua mesada.

O pai do rapaz, Tarcísio, filho mais novo da Dona Thereza, resolveu divulgar no Facebook a iniciativa do filho, para impulsionar seu pequeno negócio...

Foi então que André, atual sócio da marca, viu a postagem do amigo Tarcísio e comentou com ele no fim de semana, enquanto pedalavam no Alphaville: "Tatá, bacana a iniciativa do Bernardo, mas você não acha que sua marca está desperdiçada? O Doce Docê foi referência em BH dos anos 70 aos 90!"

Daquela conversa nascia uma parceria que traria de volta a Belo Horizonte, um patrimônio histórico dos mineiros, a Coxinha com Catupiry!

Dona Thereza amou a ideia de reabrir as portas do Doce D'ocê! Surgiu então uma parceria entre a inventora da coxinha com catupiry, André (engenheiro civil, consultor na área de orçamento há 16 anos e amante da boa gastronomia) e Adriana (contadora, empresária com experiência em gestão de pessoas e atendimento ao público, além de ter como hobby a gastronomia). Isso ocorreu em uma tarde de outono de 2017, vinte anos após o fechamento das lojas ao público.

André, com carreira já consolidada na área de engenharia, viu na reabertura do negócio Doce Docê uma oportunidade de empreender em um setor com amplas possibilidades de crescimento, e menos sensível as variações da economia. Isso aliado a uma marca forte, que ainda estava viva na memória afetiva de grande parte dos belo-horizontinos, e com assessoria da fundadora da marca.

Nas tardes seguintes, começaram os treinamentos das receitas na casa da própria Dona Thereza, sempre intercalados com um café com pão de queijo e, ao final do dia, uma degustação das guloseimas produzidas, acompanhados de uma taça de vinho da região do Alentejo... As receitas eram ditadas cuidadosamente por Dona Thereza, à medida que as ia executando, com ajuda dos seus alunos (os sócios e um ajudante de cozinha, a princípio).  Essas anotações posteriormente constituíram as fichas técnicas dos produtos da marca.

Os treinamentos começaram com os carros chefes da casa, as coxinhas, e depois se estenderam aos demais salgados, e aos doces e tortas que ficaram consagrados ao longo da história da Doce Docê. Faltando um mês para a inauguração, os treinamentos foram transferidos para uma cozinha industrial, para que os produtos pudessem ser feitos em maior escala e mais colaboradores pudessem ser treinados...

Assim, no dia 25 de outubro, o Doce Docê inaugurou no Vila da Serra, novo "point" da alta gastronomia da grande BH sua primeira loja dessa nova fase. A loja foi cuidadosamente preparada, com o objetivo de resgatar a lembrança dos bons tempos vividos pela clientela nos idos de 70 a 90. E finalmente, seis meses depois, ocorreu a inauguração da loja, com uma procura acima do esperado por todos!

Hoje, após dois anos da inauguração, a Doce Docê consolida seu primeiro ponto de atendimento, com muitos planos para o futuro... sempre acreditando no segredo do seu negócio: fazer tudo com amor e carinho!

 

 

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